Dos núcleos do programa socioesportivo do Instituto Compartilhar, 75% acontece dentro das escolas públicas escolhidas pela Secretaria de Educação local. Assim, há a valorização da escola como um lugar prazeroso de estar, além de criar o vínculo com a educação formal. As atividades esportivas são realizadas no contraturno e, além de aprender voleibol, os alunos praticam valores como cooperação, responsabilidade, respeito, autonomia, além de autoestima e superação, que valem para toda a vida. Confira esta matéria sobre atividades no contraturno publicada na revista Nova Escola em 2009.

Em festa de encerramento do Núcleo Forte do Leme em 2012, alunas de vôlei e capoeira apresentam trabalhos relativos aos valores.
As crianças brasileiras não passam, em média, mais de quatro horas por dia nas unidades de Ensino Fundamental, segundo um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado em abril de 2009. É pouco. E a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) pede a ampliação desse tempo.
Para reverter o quadro, experiências para estender o período começam a aparecer no país. São projetos que integram atividades ao turno escolar para engordar a carga horária dos estudantes, que podem alcançar até oito horas.
Em alguns casos, o professor opina na divisão da grade de disciplinas e oficinas. Mas, normalmente, essa decisão fica a cargo de cada Secretaria de Educação. “No geral, existe a supervalorização das tarefas mais livres, como as oficinas, brincadeiras e ações com a comunidade. Elas são importantes, mas não são tudo”, explica Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora geral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), em São Paulo. Já as aulas relacionadas ao currículo, essenciais para complementar os estudos, ficam em segundo plano, sem conexão com o turno.
Quem atua no contraturno deve tomar alguns cuidados para evitar problemas como esse e ter bom desempenho. “O primeiro passo é procurar o coordenador pedagógico ou o docente do turno responsável pelo assunto que vai ser tratado nas aulas para discutir as abordagens possíveis”, diz Ercília Angeli, professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e estudiosa do tema.
Integração dos turnos, mas sem dependência

Oficina realizada no evento do projeto Vôlei em Rede, Núcleos Rio/RJ estimulam alunos a formarem frases com os valores aprendidos.
Mesmo quando o diálogo não for possível, cabe ao docente ter a preocupação de unir as etapas matutinas e vespertinas e, com base nos conteúdos curriculares, montar trabalhos produtivos. Uma ideia é usar abordagens diversificadas para tratar os assuntos necessários.
A professora de História Wilma Fontana de Souza, do CE João Bettega, em Curitiba, colocou as sugestões em prática. Com a ajuda da coordenação, montou com as turmas de 7ª e 8ª séries um projeto sobre cultura regional, complementando o trabalho no turno. De manhã, os alunos aprenderam sobre as influências portuguesas. À tarde, vivenciaram com Wilma como ela se traduziu no modo de vida brasileiro, aprendendo a dançar o fandango – dança regional trazida pelos colonizadores, pouco conhecidas dos alunos e incorporada à cultura paranaense.

Alunas da categoria Vôlei, do Núcleo Central – Curitiba/PR mostram atividades realizadas sobre autonomia.
O projeto foi aprovado pelo governo que avalia atividades propostas pelos educadores para o contraturno e os classifica de acordo com três eixos: científico-cultural e expressivo-corporal, além de integração entre comunidade e escola.
Essa integração deve contaminar todas as disciplinas. No CIEP Frei Veloso, no Rio de Janeiro, a professora de Educação Física Catarina Ferreira trabalha a percepção do corpo com alunos da 1ª e da 2ª série. Ela realiza, no turno, circuitos com pneus, arcos e bolas para exercitar a coordenação motora. No contraturno, aposta em atividades como as brincadeiras em que as crianças ouvem músicas que pedem determinados movimentos, complementando o trabalho.
Como alternativa, tarefas mais livres são indicadas. No João Bettega, a professora de Língua Portuguesa Roseli Albini Petersen promove semanalmente a atividade Fórum de Discussões, em que alunos e pais debatem temas como violência. “O envolvimento da família melhora a aprendizagem”, relata Maria de Salete Silva, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil.
Fonte Texto: Revista Nova Escola
Disponível em: < http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/planejamento/turno-contraturno-escola-476470.shtml>
Fotos: Arquivo IC 2012








